Como patentear uma ideia no Brasil? [Guia completo] Como patentear uma ideia no Brasil? [Guia completo]
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Como patentear uma ideia no Brasil? [Guia completo]

9 Minutos de leitura

Camillo Rinaldi

Camillo Rinaldi

Publicado em 17/02/2025
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Se você tem uma inovação e quer garantir seus direitos sobre ela, provavelmente já se perguntou: como patentear uma ideia? No Brasil, o processo de patenteamento é regulamentado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e exige que a invenção atenda a critérios específicos. 

No entanto, muitas pessoas ainda confundem patente com registro de marca ou acreditam que apenas uma ideia abstrata pode ser protegida.

Neste guia completo, explicamos o que pode ou não ser patenteado, os tipos de patente existentes, os custos envolvidos, além do passo a passo para registrar sua invenção no Brasil. 

Se você deseja proteger um aplicativo ou software, também detalhamos as melhores estratégias jurídicas para garantir a exclusividade do seu projeto.

O que é uma patente e para que serve?

O processo de patentear uma ideia no Brasil é regulamentado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e exige o cumprimento de certos critérios. A patente garante ao titular o direito exclusivo sobre a invenção, impedindo que terceiros a fabriquem, vendam ou utilizem sem autorização.

Para garantir a exclusividade ao patentear uma ideia, é necessário seguir etapas específicas. Esse direito pode ser essencial para startups, empresas e empreendedores que desejam se destacar no mercado sem o risco de cópia por concorrentes.

No entanto, nem toda ideia pode ser patenteada. Para obter uma patente, a invenção precisa atender a três requisitos básicos:

  • Novidade – Não pode ter sido divulgada publicamente antes do pedido de patente.
  • Atividade inventiva – Deve apresentar uma solução inovadora, que não seja óbvia para especialistas da área.
  • Aplicação industrial – A invenção precisa ter uma utilidade prática e ser aplicável em um setor produtivo.

O que pode patentear no Brasil?

Ao patentear uma ideia, o empreendedor garante o direito exclusivo de usá-la e lucrar com ela. A seguir, veja as principais formas de proteção para suas criações.

Marcas

Você pode proteger o nome, logo, slogan e outros sinais que identificam seus produtos ou serviços. O registro de marca evita que concorrentes usem um nome ou imagem semelhante, assegurando a identidade do seu produto no mercado.

Patentes

Uma patente é um direito concedido pelo governo que garante exclusividade sobre uma invenção por um período determinado. Isso significa que apenas o titular da patente pode fabricar, usar, vender ou licenciar a invenção durante esse tempo.

Desenhos industriais

Essa forma de proteção se aplica a aspectos visuais de um produto, como sua forma ou estampa. O desenho industrial pode proteger as características estéticas de um item, como o design de um celular ou embalagem de produto.

 Desenhos industriais são uma forma de proteger a estética e a funcionalidade de produtos inovadores. Ao patentear uma ideia, você garante exclusividade sobre o design e evita a cópia de suas criações.
Imagem: Ao patentear uma ideia, você garante exclusividade sobre o design e evita a cópia de suas criações. Fonte: InfoEscola

Indicações geográficas

Se um produto ou serviço tem qualidade ou reputação associada a uma região geográfica, pode ser protegido como indicação geográfica. Exemplos incluem vinhos ou queijos, cuja qualidade é vinculada a uma localidade específica, garantindo sua origem e autenticidade.

Programas de computador

No Brasil, softwares podem ser registrados como programas de computador. Esse registro assegura a autoria do código-fonte e impede a cópia não autorizada, garantindo a proteção da sua criação no setor digital.

Leia também: Como criar um aplicativo? Veja o passo a passo.

Topografias de circuitos

Esse registro é voltado para a proteção de circuitos integrados, fundamentais em dispositivos eletrônicos, como chips. Ele garante que a configuração das camadas do circuito seja protegida contra cópias e reprodução não autorizada.

Topografias de circuitos protegem o layout exclusivo de microchips e componentes eletrônicos. Ao patentear uma ideia nesse campo, você assegura os direitos sobre a configuração do circuito, garantindo sua inovação no mercado.
Imagem: Topografias de circuitos protegem o layout exclusivo de microchips e componentes eletrônicos. Ao patentear uma ideia nesse campo, você assegura os direitos sobre a configuração do circuito.

Contratos de tecnologia

O INPI permite registrar contratos relacionados à propriedade intelectual, como acordos de licença, cessão de direitos e franquias. Isso ajuda a formalizar acordos sobre o uso e exploração de tecnologia, garantindo a segurança jurídica das partes envolvidas.

Academia

O INPI oferece cursos de pós-graduação e extensão para promover o conhecimento sobre propriedade intelectual e suas formas de proteção. Esses serviços educacionais ajudam profissionais a entender melhor os processos e a importância da proteção de ideias e inovações.

Qual a diferença entre patente e registro de marca?

Muitas pessoas confundem os conceitos de patente e registro de marca, mas eles possuem finalidades distintas. Enquanto a patente protege uma invenção, o registro de marca protege a identidade visual e o nome de um negócio ou produto.

CaracterísticaPatenteRegistro de Marca
ProtegeInvenção, produto ou processoNome, logotipo, slogan
Órgão responsávelINPIINPI
Tempo de proteção10 a 20 anos10 anos (renovável)
ExemploUm novo tipo de bateriaNome e logo da Coca-Cola®

Se você tem uma invenção e deseja garantir sua exclusividade, o caminho certo é a patente. Mas se seu objetivo é proteger o nome ou identidade visual do seu negócio ou produto, o ideal é o registro de marca.

Quais são os tipos de patentes?

Existem três tipos principais de patentes que podem ser solicitados para proteger inovações no Brasil. Cada tipo possui características e requisitos específicos. Veja abaixo os detalhes de cada um:

Patente de invenção

Protege novos produtos ou processos que apresentam soluções técnicas inovadoras.

Exemplo: Um sistema de filtragem de água. 

Modelo de utilidade

Protege melhorias ou aperfeiçoamentos em produtos ou processos já existentes.

Exemplo: Uma ferramenta manual com design aprimorado.

Certificado de adição de invenção 

Protege aperfeiçoamentos em uma invenção já patenteada.

Exemplo: Uma melhoria em um dispositivo eletrônico existente.

O prazo de proteção de 20 anos para a patente de invenção é comumente referenciado de acordo com a legislação de patentes, como a Lei nº 9.279/96 (Lei de Propriedade Industrial). 

Passo a passo para patentear uma ideia no Brasil

Se você deseja patentear uma ideia, é fundamental compreender as etapas envolvidas. Desde a solicitação até a concessão da patente, há várias fases que devem ser seguidas.

  1. Pesquisa de anterioridade: Verifique se sua invenção é nova, consultando o banco de dados do INPI ou outras ferramentas especializadas.
  2. Preparação da documentação: Prepare o requerimento de patente, descrição detalhada, desenhos ou esquemas, e resumo da invenção.
  3. Depósito do pedido: Realize o depósito do pedido no INPI, garantindo a data de prioridade da invenção.
  4. Exame formal: O INPI verifica se a documentação está completa. Caso haja erros, você será notificado para corrigir.
  5. Exame técnico: O INPI avalia a novidade e a aplicabilidade industrial da invenção, um processo que pode durar de 1 a 3 anos.
  6. Concessão ou rejeição: Se aprovado, você recebe os direitos exclusivos. Caso contrário, pode recorrer ou ajustar o pedido.
  7. Manutenção da patente: Após a concessão, a patente é válida por 20 anos para invenções e 15 anos para modelos de utilidade. É necessário pagar taxas anuais para manter a patente em vigor e garantir seus direitos exclusivos durante esse período

Quanto custa e quanto tempo demora para patentear uma ideia?

O custo para obter uma patente no nosso país pode variar dependendo do tipo de patente e do porte da empresa ou pessoa solicitante. Os custos principais são:

  • Taxa de depósito: Valor pago no momento do pedido.
  • Taxa de exame técnico: Pago durante o exame da invenção.
  • Taxas de manutenção: Pagamento anual após a concessão.

O custo total pode variar entre R$ 500 a R$ 2.000 para o depósito inicial, sendo mais barato para microempresas e startups.

O tempo para obter uma patente no Brasil pode variar de 2 a 5 anos. Esse prazo depende de fatores como a complexidade da invenção, a quantidade de pedidos e a necessidade de ajustes ou recursos durante o processo.

Posso patentear um aplicativo? Como protegê-lo legalmente?

Sim, um aplicativo pode ser protegido de diferentes formas no Brasil. O software em si pode ser registrado como programa de computador no INPI, garantindo direitos autorais sobre o código.

Além disso, se o aplicativo envolver uma inovação técnica que atenda aos critérios de patenteabilidade, é possível solicitar uma patente de invenção.

Veja as principais formas de proteção para aplicativos:

Registro de software no INPI (programas de computador)

Você pode registrar seu aplicativo como programa de computador no INPI. Esse registro protege o código-fonte do software, garantindo que ninguém possa copiar ou reproduzir o código sem sua permissão.

O registro de software é válido por até 50 anos e oferece uma forma de proteção legal para o trabalho desenvolvido.

Registro de marca

Além do software, é essencial registrar a marca do seu aplicativo no INPI. O registro de marca impede que outros utilizem o nome ou a imagem do seu aplicativo, garantindo a identidade única do produto no mercado.

Contratos de confidencialidade (NDA)

Durante o desenvolvimento do aplicativo, use um Contrato de Confidencialidade (NDA) para proteger ideias e funcionalidades antes do lançamento. Esse contrato impede que parceiros ou colaboradores divulguem informações sensíveis sobre o aplicativo, garantindo maior segurança.

Imagem: Ao patentear uma ideia, garantir que todos os envolvidos assinem um NDA é crucial para evitar vazamentos e proteger sua inovação.

Patente de tecnologia

Se seu aplicativo envolver inovação técnica, como novos métodos ou processos, pode ser possível solicitar uma patente de tecnologia. Isso é válido apenas se o aplicativo contiver uma solução técnica inovadora e única, que justifique a patente.

Se você quer desenvolver um aplicativo, confira o artigo “15 ideias de aplicativos para criar em 2025” e encontre inspiração!

Patente no Brasil x Patente Internacional: como proteger sua invenção fora do país?

Para proteger sua invenção internacionalmente, você pode utilizar o Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT), que permite solicitar a patente em diversos países ao mesmo tempo.

Com o PCT, o processo é simplificado, já que você faz o pedido em um único país e depois escolhe os outros países onde deseja estender a proteção, com até 30 meses para decidir.

A patente nacional só garante proteção dentro do Brasil.

Para proteção internacional, é necessário solicitar a patente nos países de interesse, seja por meio do PCT ou diretamente com os escritórios de patentes.

Para mais detalhes, acesse o site oficial do PCT: Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI).

Conclusão

Se está criando um aplicativo inovador, patentear sua ideia é crucial para garantir os direitos sobre a criação. No Brasil, é possível proteger seu software e marca pelo INPI, assegurando que sua tecnologia e identidade visual não sejam copiadas.

A KXP Tech, desenvolvedora de aplicativos e consultora de tecnologia, pode ajudá-lo a navegar pelo processo de proteção da sua invenção e garantir que sua ideia esteja legalmente protegida.

Está criando um aplicativo? A KXP Tech pode auxiliar no processo de patenteamento e na proteção da sua inovação. Entre em contato conosco para mais informações!

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Camillo Rinaldi

Camillo Rinaldi

Publicado em 17/02/2025

Camillo Rinaldi é CTO da KXP Tech e especialista em desenvolvimento de produtos digitais, com mais de 8 anos de experiência em desenvolvimento mobile e arquitetura de sistemas. Ao longo da carreira, liderou o desenvolvimento de aplicativos e plataformas como Inner, Black Ticket e Toppayy, entre outros projetos voltados para diferentes mercados. Na KXP Tech, atua ajudando empresas e empreendedores a transformar ideias em produtos digitais escaláveis, desde a validação da ideia até o lançamento no mercado. Sua experiência combina desenvolvimento, estratégia de produto e visão de negócio. Ao longo dos anos, ele e sua equipe já ajudaram mais de 50 empresas a planejar, desenvolver e lançar seus aplicativos e sistemas, sempre com foco em qualidade, transparência e resultado. No blog, compartilha insights sobre tecnologia, inteligência artificial, desenvolvimento de sistemas e construção de produtos digitais, além de experiências reais do dia a dia criando soluções para startups e empresas.

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