Definir o que é usabilidade envolve diversas áreas do conhecimento.
A princípio podemos dizer que usabilidade é um termo usado para definir o quanto eficiente, eficaz e satisfatório é a interação entre uma pessoa e uma interface.
A Engenharia de Usabilidade é uma ciência que pesquisa soluções para que os produtos e sistemas falem a mesma língua do usuário.
Para isto, é necessário levar em conta os diversos tipos de usuários, sistemas e contextos de uso.
Neste artigo, vamos trazer seus principais fundamentos. Além de mostrar como este conceito é importante para o nosso cotidiano e para o sucesso de qualquer produto.
A primeira definição de usabilidade surge com as normativas de padronização ISO, International Organization for Standardization, ou em português, Organização Internacional de Normalização.
A ISO9126 é publicada em 1991, em um contexto onde era necessário definir um padrão de qualidade de softwares.
Em sua primeira parte, entre diversos outros pontos, ela define usabilidade como: “Capacidade de software de ser compreendido, aprendido, usado e apreciado pelo usuário, quando usado nas condições específicas. “
A partir de então, este termo se tornou presente em diversas áreas de estudos. Com o avanço das pesquisas, a norma ISO9126 é atualizada, com foco mais no usuário do que no software.
A nova norma que irá cobrir as definições do termo usabilidade é a ISO 9241 que define a usabilidade como:
“A extensão na qual um sistema, produto ou serviço pode ser utilizado por usuários específicos para alcançar objetivos específicos com eficácia, eficiência e satisfação em um contexto de uso específico.”
Uma das figuras mais notáveis da área, Jakob Nielsen, também traz uma definição para nós sobre o que é usabilidade:
“Usabilidade é um atributo qualitativo que avalia o quão fácil as interfaces são de usar. A palavra “usabilidade” também se refere a métodos para melhorar a facilidade de uso durante o processo de design.”
Com o aprofundamento dos estudos na área de usabilidade, diversos autores se propuseram a criar uma definição para o termo.
Para construir um sistema verdadeiramente usável, é fundamental mergulhar no contexto de uso e envolver os usuários desde o início.
Isso significa analisar cuidadosamente os diversos componentes que influenciam a interação com o sistema e colaborar com os usuários na criação de uma interface intuitiva e eficiente.
Vamos começar pelas décadas de 70 e 80. Os profissionais da computação detinham o controle sobre tudo que envolvia a área de tecnologia da informação.
Sistemas, bancos de dados e interfaces eram utilizadas somente por usuários que tinham conhecimento prévio de programação e de computação.
Nesta época ainda se utilizava o termo “user friendly” ou seja, um sistema que seja amigável ao usuário.
O termo Usabilidade surge nos anos 80, para substituir esse termo, usado em áreas como Ergonomia e Psicologia, por exemplo.
A ideia de um sistema amigável é muito subjetiva. O que pode ser amigável para certos usuários, não será para outros.
Sendo assim, o termo começou a ser definido oficialmente pelas normas de padronização ISO desde 1991.
A partir de então, diversos estudiosos se debruçaram sobre o termo, propondo definições cada vez mais sofisticadas e atuais.
O termo usabilidade é o foco de estudos de diversos pesquisadores. Na intenção de definir o que é usabilidade, estes autores definem diversas características essenciais.
Entre eles, o renomado engenheiro de usabilidade Jakob Nielsen definiu 5 características da usabilidade. Elas são referências até hoje para podermos pensar em ambientes e contextos que tenham uma boa usabilidade.
Quando falamos de aprendizagem, a ideia é que a primeira Impressão é o que importa.
Imagine encontrar um site pela primeira vez, procurando por um produto específico. Você consegue encontrar o que deseja sem dor de cabeça? Caso não, a aprendizagem deixa a desejar.
Esta característica foca em quão facilmente os usuários navegam pelo site pela primeira vez, completando tarefas básicas intuitivamente.
A aprendizagem é a introdução que irá promover confiança e estimular o usuário a explorar o site.
Os usuários devem compreender o básico, e chegar aos seus objetivos de maneira rápida.
A eficiência mede quão rapidamente os usuários podem alcançar seus objetivos.
Ou seja, é uma forma de fluxo de trabalho – quanto mais suave e rápido os usuários conseguem realizar suas tarefas, mais satisfeitos ficarão.
A memorização tem relação com a importância de deixar uma impressão duradoura no usuário.
Ou seja, a memorização avalia quão facilmente os usuários lembram de seus conhecimentos após um período de inatividade.
Uma interface bem projetada deve ser intuitiva o suficiente para os usuários retomarem de onde pararam, mesmo após um tempo sem ter contato com ela.
Teoricamente uma interface deve ser desenhada para que o usuário não cometa nenhum erro.
Porém, erros acontecem e muitas vezes são inevitáveis, considerando a familiaridade de cada usuário com a interface.
Quando falamos de tolerância a erros, estamos considerando que o usuário possa sempre voltar, caso tenha feito algo errado.
Um exemplo simples e prático é o botão “desfazer”. A depender do sistema que o usuário esteja interagindo, ele pode desfazer seu erro, sem frustração.
Uma interface esteticamente agradável e envolvente promove uma experiência positiva ao usuário.
Embora se entenda que a satisfação seja algo subjetivo, e o mais difícil de avaliar, ela é de extrema importância.
Um ambiente que garante satisfação ao usuário, garante que ele retorne com mais frequência.
Embora pareçam semelhantes, usabilidade e a experiência do usuário (UX) se distinguem em pontos importantes.
O campo da experiência do usuário aborda diversos elementos como, utilidade, usabilidade, estética, desempenho e acessibilidade.
Como podemos ver, a usabilidade está inclusa dentro dos estudos da experiência do usuário.
Ou seja, a área de UX está preocupada com a experiência completa do usuário, embora cada um destes elementos tenham certa autonomia.
Sendo assim, uma equipe de UX terá profissionais multidisciplinares, geralmente com cada profissional se destacando em uma área.
Os testes de usabilidade são um conjunto de técnicas que visam avaliar a facilidade de uso e a experiência do usuário com um produto, sistema ou serviço.
Através da observação e do feedback dos usuários, os testes de usabilidade identificam problemas de usabilidade e fornecem insights valiosos para a melhoria da experiência do usuário.
Para Jakob Nielsen, a escolha da técnica de usabilidade mais adequada depende dos objetivos específicos do projeto, dos recursos disponíveis e do tempo disponível.
A combinação de diferentes técnicas pode fornecer uma avaliação mais completa e abrangente da usabilidade do sistema, resultando em uma melhor experiência para os usuários finais.
Sendo assim, ele propõe uma série de alternativas para que estes testes sejam feitos, visando formas rápidas, práticas e baratas.

Nesta técnica, protótipos de baixa ou alta fidelidade simulam a interface do sistema, permitindo a avaliação e o refinamento antes da implementação completa.
O foco está em identificar falhas de usabilidade e obter feedback dos usuários para aprimorar a experiência antes de investir recursos significativos.
Validar ideias e conceitos: testar a viabilidade e o potencial de uma interface antes de investir tempo e recursos em seu desenvolvimento completo.
Obter feedback dos usuários: observar como os usuários interagem com o protótipo e identificar pontos de atrito, erros e dificuldades de uso.
Comparar diferentes designs: testar diferentes versões da interface para determinar qual oferece a melhor experiência do usuário.
Essa técnica envolve observar usuários reais enquanto eles interagem com a interface do sistema. É comum que peça ao usuário que realize tarefas específicas e verbalizem seus pensamentos e dificuldades.
O objetivo é identificar problemas de usabilidade e entender como os usuários percebem e interagem com o sistema.
Identificar problemas de usabilidade: observar como os usuários se comportam e quais dificuldades enfrentam ao usar o sistema. Isto revela falhas que podem passar despercebidas em avaliações teóricas.
Compreender as necessidades dos usuários: obter insights valiosos sobre como os usuários pensam e o que esperam do sistema. Isto pode ser útil para a criação de um design mais centrado no usuário.
Coletar feedback qualitativo: ouvir as opiniões e sugestões dos usuários, fornecendo informações valiosas para aprimorar a interface e a experiência geral.
Essa técnica consiste em avaliar a interface do sistema com base em um conjunto de princípios e diretrizes de usabilidade reconhecidos, como as 10 heurísticas de Nielsen.
Especialistas em usabilidade examinam a interface e identificam potenciais problemas de usabilidade. Tais como, inconsistências, falta de clareza ou elementos desnecessários.
Identificar problemas de usabilidade: detectar falhas de design que afetam a experiência do usuário, mesmo antes de que os usuários reais testem o sistema.
Priorizar correções: classificar os problemas de usabilidade de acordo com sua severidade e impacto, permitindo focar nas correções mais importantes.
Melhorar a usabilidade geral: implementar as correções de usabilidade identificadas para otimizar a interface e oferecer uma experiência mais eficiente e agradável.
Essa abordagem informal e rápida aplica os princípios da usabilidade com recursos e tempo limitados.
A usabilidade de guerrilha envolve testes rápidos com um pequeno número de usuários, geralmente em ambientes informais, como cafés ou escritórios.
O objetivo é obter feedback rápido e identificar problemas de usabilidade que podem ser facilmente corrigidos.
Obter feedback rápido e barato: testar a interface com usuários reais sem investir em testes formais e dispendiosos.
Identificar problemas de usabilidade: detectar falhas que podem ser facilmente corrigidas, otimizando a interface com um investimento mínimo de tempo e recursos.
Melhorar a qualidade do produto: aprimorar a experiência do usuário e a qualidade geral do produto com base no feedback dos usuários.
Neste artigo podemos entender um pouco mais sobre o que é usabilidade e seus principais conceitos.
Além disso, também abordamos a origem do termo e suas definições fundamentais.
Aqui você também encontrou quais são as principais características da usabilidade segundo Jakob Nielsen.
Outro ponto importante é diferenciar a usabilidade da experiência do usuário, que embora semelhantes, divergem em pontos importantes.
Por fim, trabalhamos com uma série de técnicas importantes para avaliar a usabilidade de uma interface.
A preocupação com o usuário só cresce e esta área do conhecimento, que tem relação com tantas outras, só tende a se aprimorar.
Aqui na KXP a nossa preocupação com o usuário é igualmente importante. Venha fazer um orçamento!
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Camillo Rinaldi é CTO da KXP Tech e especialista em desenvolvimento de produtos digitais, com mais de 8 anos de experiência em desenvolvimento mobile e arquitetura de sistemas. Ao longo da carreira, liderou o desenvolvimento de aplicativos e plataformas como Inner, Black Ticket e Toppayy, entre outros projetos voltados para diferentes mercados. Na KXP Tech, atua ajudando empresas e empreendedores a transformar ideias em produtos digitais escaláveis, desde a validação da ideia até o lançamento no mercado. Sua experiência combina desenvolvimento, estratégia de produto e visão de negócio. Ao longo dos anos, ele e sua equipe já ajudaram mais de 50 empresas a planejar, desenvolver e lançar seus aplicativos e sistemas, sempre com foco em qualidade, transparência e resultado. No blog, compartilha insights sobre tecnologia, inteligência artificial, desenvolvimento de sistemas e construção de produtos digitais, além de experiências reais do dia a dia criando soluções para startups e empresas.